Este artigo, ao diferenciar o inconsciente transferencial do inconsciente real, produz mudanças significativas tanto na teoria psicanalítica como na prática clínica. Ao deslocar o objetivo da clínica psicanalítica da interpretação para uma operação acerca do gozo e o sintoma, Lacan se pergunta pelo que fazer com o sintoma, operação esta chamada savoir-y-faire, ou seja, um saber ali com o sintoma. Pensando na análise com idosos, em que o confronto com real do corpo, perdas e finitude, falam-nos de um campo privilegiado para a expressão desse inconsciente que escapa à simbolização, proponho um olhar que acolhe o impossível, reafirmando a aposta da psicanálise na capacidade de invenção do sujeito idoso ante o irrepresentável.